segunda-feira, 9 de abril de 2012

Abri mão



Abri mão de repostas
De desculpas
De falas desmedidas
De perguntas

Mas porque detesto despedidas

Abri mão de flechadas
De ser alvo
De balas perdidas
De arcos em riste

Mas era quase todo dia

Abri mão de ser triste
De discussões
De dramas imperdíveis
De lágrimas escorridas

Mas nem sempre as impedia

Abri mão de pular
De paraquedas
De supetão varar nuvens
De cair nu no mato

Mas era assim que sobrevivia

Abri mão de chatezas
De sentir asperezas
De apurar mazelas
De namorar donzelas

Mas que menina mais atrevida

Abri mão de tudo
De todas as feridas
De ideias perdidas
De tudo que queria

Mas era tudo que eu podia.

(FlaVcast – 09.04.2012)

Como nuvem



Foi como nuvem
Que de repente
Faz-se presente
E esvai-se nula

A desfazer-se
Como se nunca
Tivesse acontecido
Refaz-se de azul

Amar seria tempestade
Uma aguaceira de verão
Quente e tórrida a inundar
Germinar era sua benção.

(FlaVcast - 09.04.2012)

sábado, 7 de abril de 2012

Poemas tolos




Não sou em partes

Sou todo misturado

De tinturas secas

Relevos molhados

Sonhos abandonados

Desejos roubados

Conquistas minimalistas

Revoadas cubistas

Madrugadas nudistas


Desenrolado de dias

Destilo do velho estilo

O hábito de acordar

Só e rindo à vida ir

Trocando caminhos

Por versos perversos

Penso em nós e cores

A amarrar o que possuo

A esses poemas tolos

Que me escapam fluidos.


(FlaVcast – 07.04.2012)

A caça



Nesse momento
Em que não sei
Se serei morto
O projetil vem

A direção certeira
Feita ao longe
Deseja-me alvo
E deve atingir-me

Não por maldade
Mas talvez precisão
Por desejo em alvejar
E quem sabe possuir

Amazonas instintivas
Caçam precisas
Em capsulas vermelhas
Aniquilam as caças.

(FlaVcast – 07.04.2012)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quereres



Não quero precisar
Dizer que te amo
Quero que sintas
No meu olhar
O quanto és amada

Não quero provar
Que te amo
Quero que descubras
Entre os cuidados
Sentir-se especial

Não quero forçar
O meu amor
Quero a natural
Aceitação atoa
Sem porque amar

Não quero provas
Insólitas de amor
Quero que transpires
Sem poder conter-se
Fluir de você amor

Não quero medidas
Exatas de amor
Quero desmesura
Onde possa perde-se
E em devaneios amar

Não quero pedir
O seu amor
Quero-o livre
Para que fiques
E amar faça sentido.

(FlaVcast –05.04.2012)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Amar mesmo que seja sonho



Vou no meu sonho
De amar a vida
Porque nasci pra viver
Amar e morrer

Vou buscar formas
Legítimas de amor
Porque nasci pra viver
Crescer e multiplicar

Vou apanhando
Porque nem todos amam
Mas nasci pra viver
Mesmo que só seja canto

Vou acreditar em você
Mesmo em sonho
Mas nasci pra viver
O amor dos meus sonhos.

(FlaVcast – 04.04.2012)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tempestade e Calmaria


Não
Não me culpe
Sou ato
Como raio
Explosivo
Incontido
Em desejos

Assinalei
Com explosões
Em nuvens
Trovejei
E levei
Águas a banhar
Seus campos

Planejei pastagens
Entre leitos
De rios brandos

Fui sereno

A cair
Calado
Em suas noites

Atenção
É o que merecem
As tempestades
Ou enxurradas
Que em desespero
Levam esperanças
De amar
O ar
E o mar

Avassalador

Foi o sol
A raiar
Solene
E tórrido
A devorar
As entranhas
Do que pudesse
Ter nos sonhos
Perfeição

Foi o tempo
Foi o vento
Trouxe fomento
Deu um novo
Alento

Lento
Como calmaria
A sufocar de paixão
Na imensidão do mar
Poder morrer
Ou amar.

(FlaVcast – 02.04.2012)

sábado, 31 de março de 2012

Do observar as flores



Saber como dar cores
Às flores riscadas
Soltas em traços
Rápidos e escorridos

...Entre pingos
Aqui e ali
Borrados...
Na precisão da mão

É como necessidade
De encontrar palavras
Exatas expressões
Do que o outro
Deverá entender

Olhar as cores
Absorvendo-as
Como olhar que encontra
Ou explodir junto
Em gozo lírico

É como receber da cor
O que a flor
Singelamente
Quer lhe dizer.

(FlaVcast– 31.03.2012)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Por que?



Por que?
Não sei

...

Porque pedi
Por que imaginei
Porque haveria
De assim ser

Desejei
Com o que há
De mais puro
O amor

Por que como o sol
Que a noite completa
Venha... Preciso
De suas estrelas

Porque não fosse
Diferenças poucas
Seriamos menos belos
Na exatidão

Como terra
A desaguar no mar
Temos o chão
E profundidade

Do belo
O calor do corpo
Do máximo
Que seja eterno

Porque não poderia
Ser mais exata
A tradução
Do que já desejei

E nem falo de curvas
Prestígio ou ouro
São detalhes
Como amêndoas

E vinhos
E hinos
Delírios
Nossos vícios

Por que
Porque chegou
É hora de acontecer
Venha vamos viver.

(FlaVcast – 30.03.2012)

quarta-feira, 28 de março de 2012

A razão de te amar



Voçê não me sai da cabeça
Então é razão

Não é para agirmos com a razão?

Então te amo

Porque te amar
parace ser a razão
de valer viver

E viver
É sentir
E sinto

Sua presença
É recente
No meu corpo

É clara
A lembrança
Da sua voz

E o coração
Diz pára
Em disparada

Sou corpo
Mente
E calma

Que acenta
A alma.

(FlaVcast – 28.03.2012)