quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Vazio e Choro




Sabe meu amor
Daquela imagem
Aquela do universo
E seu vazio reverso

        Desculpe-me mas é preciso chorar um pouco
        Chorar pelo que me transformei e nem sei
        Se for vítima ou meu algoz e o que importa
        O que desvela é a falta da linha e a sorte jazida

Esse vazio de nu
Foi bombardeado
Que tudo que foi
De repente sumiu

        Quero chorar todos os maus entendidos
        As dores já nem sei de que tipo sofremos
        Chorar o meu fazer sofrer a quem diga sim
        Ou não chorar solidão e não saber dar a mão

Sumiu sua força
E ainda resiste
Tornou-se negro
E sonha com cores

        Já não sei qual a parte dessa arte não sou eu
        Onde se escondeu meu eu que não mais reflete
        Não acreditem é tudo parte do flerte, divirta-se
        Sombrio é perguntar para acertar e errar sempre

Vê-se descrente
E crê em que
Teme e treme
Sabe e erra

        Chorar em um brinde a tudo que já acreditei
        Às malditas sinceridades mentidas e algumas metidas
        Um brinde ao filho da puta que sou e mais ninguém
        Chorar a taça vazia de todas as minhas derrotas

Pudera são cometas
Machucam as flores
Cometem horrores
Muitas noites morrerem

        Chorar alguns desencontros e outros tantos luares
        Quem sabe apaziguar a alma num prato ou pranto
        Chorar por não ter direito ao certo e culpar ninguém
        Também por dizer amém e roubar bala do armazem

Com que ousadia
O vazio deseja viril
Comportar o universo
Só mesmo em verso

        Chorar por não saber amar, não confiar em si mesmo
        Chorar para sobreviver enquanto puder produzir, sobreviver
        Mesmo com avisos abismos e as cenas de terrorismo
        Sei minha parte das culpas, são grandes, não alucinantes

O vazio é nada
O possível imaculado
No nada não há nada
O tudo é tudo e nada

        Choro pelas mãos estendidas e as tão queridas ausências
        Pelas telas e tintas desperdiçadas não deviam ser maculadas
        As peladas de rua, as deixadas, as faltas graves, as bolas nas traves
        Os mortos perdidos ante as canastras desperdiçadas de algo sem nome

Infinita é a possibilidade
De colocar qualquer coisa
De eco a um encontrar
O vazio precisa acreditar

        Choro em agradecimento por tudo que já amei e você meu bem
        A impossibilidade eterna de não poder e querer só ser
        Choro as parcerias desfeitas, as emendas e reprimendas
        O que seria da vida se você não tivesse acontecido em mim.

(FlavCast – 18.02.2011)

2 comentários:

Maria de Fátima Monteiro disse...

Lindo de doer!!!!!!!!

FlavCast disse...

Obrigado Maria de Fátima. :)