sexta-feira, 1 de junho de 2007


Ah chorar???
Homem não chora...

Homem que é homem nem sente...
Homem não se emociona...
Homem é bruto
É seco...

Por isso vou levando
minha adolescência
Até hoje, Até um dia
Até me ver Homem

Vou sem saber que preciso
Crescer...
Ah... Homem não chora

Mas também pra que ser Homem???

Sou assim...
Me aproximo do coração...

Sinto e muito

Sinto amores...
A beleza da vida...

E assim vou...
Moleque que sou
Apaixonando-me pela vida
Pelas pessoas que encontro
Por amores desencontrados

E no dia que me ver Homem
Nem contarei a ninguém...
Talvez sente e um sofá
Feche os olhos... e vou...

Vou... até voltar menino de novo...
(Flacast)

Mata atlântica


verde de quimeras mil

quisera eu um mundo
em que pudesse tê-la
assim grande e verde

oh... Verde com vermelho

o que um dia foste
frente a um atlântico
tão belo quanto tu

oh... Bandeira verde

cercada de ouro
amarelo sorriso
de um povo colorido

oh... Verde pedaço
que faço por ti, luto
ou nutro meu luto?

(Flacast)

Aqui pensamento toma vida
areja entranhas, alcança ilhas
entristecidas cenas cotidianas

nesta cidade, porradas, esquivas
em cada esquina abre-se doente
mar de socos, singelos inimigos
protegem-se, agredindo-nos
de graça esquecem-se
do troco em troca de algo

carinho?

Porrada sutil, quem se perdeu
um sorriso infantil,

doçura?

Não sei como pagar ou seria loucura?
Pagar por amigos, desejos envolvidos

quebrados?

Rótulos terapêuticos, vivemos
vegetando em trabalhos

frustrantes?

Seres a vagar horrendos corredores
de nossas culpas esculpidas
no fogo brando de nossas paixões

sexo futuro temes descobrir
ser nada a mais do que já foi em vão
nadando correntezas dias e séculos
do velho enigma chamado

(Flacast)

Sete minutos, dias
anos, milênios eras
brasil de homens verdes oliva

barbatanas de baleias
mortas na esperança de serem
independentes para acreditar
ao menos uma vez, poder?

Rebelar juízes, no futebol
da guerra santa de católicos
políticos, cartolas protestantes
queimam o povo, trincheiras

estúpidos cigarros humanos, morram
rebelem-se ou matem-nos
com seus olhares famintos
estuprem os imbecis de olhos vazios

noite, temem a grande virada, dia “d”
vermelhos ideológicos, risos festejam
os carnavais de ódios, levam
à avenida, desfilar nossas fantasias

utópicas, vulgares, melancólicas
eleições de Quinta, onde cinzas
ao vento sopram o resultado, mudo
de escolas a mostrarem-se capazes
de levar o povo às ruas

tumbas, guerras e sertões marginais
sentem-se seguros por novas caras
puxarem as rédias do grande cavalo
a entregar-se solenes aos cowboys

na madrugada fria, esguias cordas
a descer monumentos, surpreendendo
o velho de calças na mão
não, não vai demorar
a vencermos ou nos rendermos

paz

(Flacast)

Sobe a montanha
dourada sabedoria
estende seus passos
novos caminhos

galgue pedras
abra picadas
mas as deixe
com dúvidas
outros te seguirão

entenda
você nada sabe
a saber algo
tente ver prismas
coloridos pontos
abstraindo sempre
pode expandir
mas o mais
importante


não dê conselhos.

(Flacast)

Os ares de Espanha


toca-me de leve suas castanholas
fascina-me com olhares negros
espreita ao rodar suas saias

sua língua rápida colore
ambientes como sol de verão
latino por excelência, sou

a juventude que vai a luta
como quem pinta tela branca
surpreso surrealista, vejo

abstraio todas as vivências
faço-me mestre, mostra seu mundo
dançarinas viajantes celestes
em praça de touros.

(Flacast)

Sujo de tinta ergue-se você
meu majestoso cavalete, concreto
Vê telas abstrairem-se de branco
em firme perspectiva, passas
várias noites a apoiar meus porres
inúteis e homéricos... Contar
estranhas poesias vivas, dores
que fazem de você... Amigo
ser o primeiro a apoiar meus quadros
minhas poucas vivências, coloridas
sombras que reluzem espectros
bailarinos, tão loucos fantasmas
a corporificarem tão bem, você.

(Flacast)

Há névoa passando
pessoas dormentes
carros ligados
há um garoto perdido

na rua ávida ando
pela calçada
ávido apodreço
e o resto corre na guia
como um garoto perdido

a multidão se aglomera
corpos sangram no chão
visões atônitas, ecoam
como se olhassem
para si mesmos

Vamos ajudar o garoto perdido
deixe de lado falsa política
não sangre pelas ruas
ponha sentido em seu olhar

e ao perceber você
tão grande como criança
vou ter mais um pedaço
do meu próprio garoto
e quando nos completarmos
como crianças
vamos ser mais dois
a entender a vida.

(Flacast)

Atriz pinta seu rosto
no claro espelho da vida
tateando seu corpo moreno
mantêm-se esperta, assustada

acorda, esquece o papel
na cômoda vê o bilhete
que selado despede-se só
do público que viu e passou

sorri pálida desejando-se merda
para sala dirige o corpo
esmagando na garganta um gole
de suado licor de amor

pelas ruas vagueia a alma
agredindo, com mãos trêmulas rosas
cafonas de assustadas facadas
despencam sem saber porque

sem saber porque a atriz
chora manchando os olhos
que por necessidade troca-os
perdendo-os na gaveta das máscaras.

(Flacast)

Caso a tempestade passe
estarei aqui na árvore
esperando as águas descerem

o pior já passou
mas ainda chove
eu vou molhado
olhar as nuvens passar

o telhado da casa já aparece
está com barro vermelho
começo a ver o que limparei

a tempestade passa aos poucos
e aos poucos desço da árvore
vejo toda a casa vermelha
e até secar reconstruo meu lar.

(Flacast)