sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sonetos de Francisco



Sabe amigo poeta dos amores
Dos que te deixaram marcas
Daqueles que não sabemos dores
Tão pouco aqueles que te arcas

O corpo que medes assim preciso
Sonetos os mais lindos a escrever
Envoltos em sabedoria faz verter
Líricas rimas te levam ao paraíso

Serve-te como mestre à poética
O gosto rosa que trazes às linhas
Das mãos deitas sonhos e métrica

Ler deste universo nos aproxima
Da densidade dos teus valores
Leitores te admiramos em rima.

(por FlaVcast em 29.11.2013)

Dos amores que não cabem em palavras



A palavra já é pouca
Mais que repita em frases
Longas curtas largas
As folhas de papel ao sofá

Perdidas em livros
Sentimentos devem viver
Livres como olhares
Soltos a dizer que sentem

A pele nua eriçada
Deve ser notada beijada
Se não seja desarticulada
Que escorra à boca

As pontas dos dedos
Que sejam eles lápis de cor
Porta vozes de estremecimentos
Dos meus amores por ti

Que venha teu corpo
A dar-me encaixes úmidos
Dos momentos tão mudos
De quando amamos.

(por FlaVcast em 29.11.2013)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Refinamento


Sou dos pensamentos
Das palavras buriladas
Esmiuçadas nos cantos
Dos cânticos românticos

Preciso de tempos vazios
De folhas em branco
De encher-me dos amores
Das flores vermelhas

Sou dos silêncios dos olhos
E dos gritos da alma
Sou dos suspiros dos beijos
Aos gemidos da amada

Preciso da imprecisão da vida
Das águas as areias removidas
Dos passos passadas vagarosas
Dos pássaros a encantar a vista

Sou poeta que rema com lápis
Sem pressa não rimo versos
Lanço-os dispersos ao vento
Sou pedra refinada no tempo.

(por FlaVcast em 26.11.2013)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Aquário



...Quando em mar aberto
Perder adverso o rumo
Deixe que te leve suave
Correnteza te consome...

Das águas quentes, paixão
Rasas as carícias eriçam
Pele, fadada aos toques
Transpassa úmido olor

Dos olhares o desejo toma
Gêmeos miramos idênticos
Perdidos no escuro, nós
Dos amores retorcidos

Entre meio pedras, as bolhas
De vermelhos a intensidade
Os momentos exaltados
Levam ao mundo, um mar.

(por FlaVcast em 20.11.2013)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Confissão



Amanhã te cuido
Das asas molhadas

Hoje cuidarei das cores
Às quais confesso
Despudores

Rumores de ontem
Realizados ao amanhecer
São das cenas soltas

Às quais confesso

Guardo-as sôfregas
Diante dos olhos
A encantar-me

Tão reais como libélulas
Que por instantes
Pairam no ar

Confesso

Vejo em nossos momentos
Pelo olhar a beleza original.

(por FlaVcast em 12.11.2013)

Soneto do pedido ao universo



Como pode do universo
Renunciar às azuis ondas
Às reversas cenas surgidas
Partes de amor em dorso

Poderiam explodir gérberas
Versar em linhas o processo
Passar a inundar primaveras
E amar seja provocar acesso

Da poeira os ventos somados
Aos céus nunca pedir nomes
Saber dos desejos sonhados

Ao tempo deixe-o ali disperso
Que seja de luz o dito reflexo
Venha em vislumbre no verso.

(por FlaVcast em 11.11.2013)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sentir anterior


Poderia te dizer
Das vezes que te senti
Sem saber já a conhecer

Era sensação
A rondar por perto
E era agora sabemos

Sabia do riso
Silenciosos olhares
Da mão dada
Na rampa daquela parada

Saber do momento
Que agora explode
Era da sorte o tempo

Suspeito agora que o sentir
Veio de antes
De quando fomos
Sem ser.

(por FlaVcast em 07.11.2013)

De passagem pelo espelho


Não adianta
Espelhos refletem
Aos ângulos
Aos brilhos

E às curvas
Entendo-as
Como perfume de amêndoa
Doce tez de pêssego
Triângulos denunciados
A escorrer mel e flores
Ângulos
De simples traços
Trançadas são as estruturas
Deitado
O horizonte celebra
Dos montes
Os seios nus
Restingas paralelas
Pernas trêmulas
Aos saltos
Ergue-se

Solene
É o frio da parede
Ao espelho
Cubistas as cenas
São sombras
A caminho do quarto.

(por FlaVcast em 07.11.2013)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Amar todo dia



Amo a claridade
Que me possibilita
O amar você hoje

Uma janela aberta

Sons soltos à brisa
Sopra em meus ouvidos
As mais doces palavras
De um amor solar

Horas passam abertas

Solenes sol e sombra
Disputam a pele suada
Entre o cavalgar e o riso
A poeira baila dispersa no ar

Noite se faz veludo

Amo te adormecer
Amo a cada dia
Te amar outra vez.

(por FlaVcast em 06.11.2013)

Quero-a nua


Quero-a nua
Nua como a lua
Que resplandecente
Flutua nua todas a noites

Quero-a nua
Como as verdades
Que a natureza entrega
Em fascinante harmonia

Quero-a nua
Crua como a realidade
Que ao passar do tempo
Transforma-se sabedora

Quero-a nua
A andar pela casa
Que aos passos alegres
Pise nas pétalas do meu amor.

(por FlaVcast em 05.11.2013)