sábado, 4 de agosto de 2012

As flores da manhã




É que deixaria assim
Descansada
Num ponto seu
Em que sei passar
Observar

Seriam as do jardim
Lindas
De terem vida
Quentes
Por serem da gente

E eu já longe
Tomado de dia
Sei que saberia
Sorridente e olhar miúdo
Me diria bom dia.

(FlaVcast – 05.08.2012)

Procura-se




Amor
Tua parte
Em mim
Te procura desesperadamente

P.S.: Desejo muito também minha parte que está com você
e ainda nem conheço...

Beijo
Ao longe.


(FlaVcast – 04.08.2012)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A ouvir letras




Como não entender-me louco
Se por verdade ouço letras
Palavras que não param de cochichar
Aos meus ouvidos desafinados e surdos
Conspiram com frases torturantes
De amor
Os olhos olham músicas e dançam
Às vezes embaçados noutras apaixonados
O cérebro espia em tensão
Os desarrimados pulsares do coração
Este desajuizado órgão da emoção
Que só apanha, é cego o coitado
Como não ser outro senão louco
Atirar-me ao mar, talvez condenasse
Mas digno é entregar-me às ondas
Mares e ventos que levam-me
Sem planos vou ouvindo palavras
E rabiscando sons no meio do mar.


(FlaVcast – 04.08.2012)

Cruzadas



A tempos faço-me curioso
De tudo que corre nesse mundo
Dos sonhos e pesadelos aprendo
A calibrar os toques ou desfoques
O tom da voz de ceciliana entonação
Engana a dita calma que leve
Na pressão dos pés alivia
Insana mente das buscas às curvas
E ângulos do corpo frágil, adágios e beijos
Insinuosos os cílios pecam, aposto,
A piscar rajadas de olhares
Os mares próximos à boca, amores
Alvos a serem pirateados, saqueados
Os dotes não interessam
Reles tesouros de reis não valem
Tão pouco seja chula poesia
E desta faço-me reino fértil
Onde tudo corre, sê soberana
A cavalgar nua na noites enluaradas
Até que as lutas terminem.

(FlaVcast – 04.08.2012)

O Grilo




Tantos foram os acenos
Tímidas tentativas de ser notado
Em seu desfile diário pela rua
Foram “ois” solitários a desejar
Bons dias!
Sorrisos amarelos a dizer
Baixinho
Que estavas linda!
Tropeços ridículos
A mostrar habilidades que não tinha
Os escorregões
Estes até engraçados
Envergonhavam ao imaginar saberes
Foram faixas estendidas com dicas
Placas a desviar seu rumo
E eu passar ao lado
Passeios malfadados em barcas furadas
Um infinito descer e subir escadas
E quando chovia
Era eu ali parado
Todo encharcado a segurar a rosa
Ah... Mas como era gostoso te esperar passar
Solta paparicada por ébrios apaixonados
Passava a sorrir enaltecida de aplausos
Ria solista do seu palco
E eu ali descalço com a flor na mão
Empoleirado a assistir de longe
Os torpes galanteios disparados
Do outro lado da rua até torcia
Nos aparentes melhores cavalos do páreo
Mas que nada, seus saltos são altos
E à rua longa desfila alegre
Filha de mouros durante o dia
Quando das lanternas acesas
A noite se fazia e ali estava eu
Entre primaveras e vagalumes
A rodear o candeeiro da sua janela
Era meu o suspiro que sempre ouvias
Ao apagar sonolento de suas luzes
Dormias.


(FlaVcast – 04.08.2012)

Códigos trazidos à pele




Raros bônus
Que levam a graça
Quando como mel
Das paixões silvestres
Alheias às rotações
Da terra vingam frutos

Absurda seria a vida
Sem a alegria da sutileza
Que descrita e verso
É percebida no olhar
De borboletas

Preferível seria morrer no açoite
A negar um amor correspondido
Não dá para passar despercebida
À vida que está sorrir tão longe

É paz que enterra dores
Rubores a iluminar a solidão das noites
Vapores a amassar perfumados lençóis
Códigos trazidos à pele em devaneios.

(FlaVcast – 04.08.2012)

Delírios no transito parado



Ao fim da tarde
Do rosa tomado
Nuvens brancas
Alegraram azul
Quente de inverno
Trópico Caetano
Longe exilada
A mente viaja
Lusco fusco

Entrelaçados
Sorrisos e olhares
Faceiros
A andar
A luz da lua

Delírios
A encher o peito.


(FlaVcast – 04.08.2012)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Impreciso




Não sei
Tão pouco desejo saber
A não ser o óbvio
Dos dias deliciados
Dos sorrisos
Das lágrimas
Que sejam felizes
Como janelas abertas
A iluminar as flores
Perfumar o ar
Como será seu mar
As ondas a pular
As arvores
Onde te beijar
Os porres
De felicidades
As noites
Te velejar impreciso
Por que não sei
Se de ti quero
Me achar.
 
ڿڰۣ-ڰۣ

(FlaVcast – 02.08.2012)

Escorrem rubros



Como jogados ao lago
Ao lado dos laços
Do vestido
Úmidos
os beijos
Descarados
os seios
Cercados
de desejos
Por todos os lados
Ilhados de paixão
Escorrem rubros
Vinho e batom
Sem importar
Das horas
as marcas do corpo
Deixadas nas folhas
Do caderno sem pautas
Surgiu do amor poesia.

(FlaVcast – 02.08.2012)

Portal


Foto: Miscelânea - (Citações IV)

Haveria um portal
Onde pudesse atravessar
Ir o corpo e desejos
Os mais puros
A encontrar os dela
E seus lábios

Depois do abraço
E beijos fitarmos
Um e outro lado
Já conhecidos
Decidirmos
Encontrarmos caminho

Haveria um solo
Onde pudesse pousar
Os panos e deita-la à relva
Em fim de tarde de primavera
Ler apreensivo um poema
E ler em seus olhos amor.

(FlaVcast –02.08.2012)