quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sampa

São Paulo é meu corpo

é confuso e acolhedor

é cativante confusão

onde nós delirantes

perdemos, aos poucos...

nossos cinzas rostos

São sirenes, viadutos

abusos em arbustos

É caos e encontra-se

tudo....

Das ladeiras

às mais faceiras

É solidão na multidão

respiração agitação

tem malhação

muita humilhação

rancor e lagrima

imigração

Tem festa rebuliço

moda e alpinismo

somos todos...

... tão submissos

somos poluídos

meio doídos

comprimidos

mas conhece aqui

seja moderno

esteja no mundoviva...

São Paulo

minha divina

Sampa.

FlavCast

25.01.09

Os não lidos

Se soubessem vocês

dos poemas que perco

em meus devaneios

São cenas de amor

muitas de dor

carregadas

com lagrimas

quando escritas

contidas

Existem os tons

de uma inexatidão

existencial devastadora

são poemas-pedaços

escondidos...

Só lidos por mim.

FlavCast

25.01.09

Entre dois universos

Não tive escapatória a não ser

dividir-me entre dois belos universos

femininas belezas cruzaram meu céu

a destilar suas delicadas seduções

E houve um tempo de encantamento

com os versos que se formavam soltos

em outro espaço as cores soltas

seduziam-me ao ponto da luxúria

Amei o que conheci de longe

sonhei eufórico com a proximidade

a beleza rara das formas confundi

melancólico resigno a perda.

FlavCast

25.01.09

Costumes de mulher

Mais cedo

que o amanhecer

eu diria a você

amor

Não em forma de sexo

disperso e sonolento

abraçaria sua pele

aninharia a alma

Num respirar sereno

um suspiro delatador

entregaria-me

feliz

Garoto que sou

ingenua-mente

você mulher

arfará

Segura sensação

a sábia loba possui

ao saber sua caça

rendida

Sabe esperta que é

dos melhores truques

costumes de mulher.

FlavCast

25.01.09

Tenho

Tenho os olhos da procura

Pensamentos de ternura

Desejos adultos

Medos de criança

Tenho pequenos tesouros

Em alguns aspectos sou louco

Noutros soturno noturno

E amanheço feliz

Tenho dores de amores

Alguns são flores

Cuidados e bem marcados

Outros ficaram no passado

Tenho algumas cores

Fotos em preto e branco amareladas

Delicados momentos guardados

Lembranças e ainda alguma esperança.

FlavCast

24.01.09

Poderes

Que forças já tive

na ponta dos meus dedos

detia-te

Que respiração arrepiava-te

os morenos pelos da pele branca

derretia-te

Que poemas tão fáceis

eram aqueles ditos sedutores

pretendiam-te

Que poder é esse capaz

de desorientar um homem

tee-me.

FlavCast

23.01.09

Hoje que não mais significo

Hoje que não mais significo

habito meu intimo precipício

de vícios colados ao peito

Deixo o encantamento desfeito

para entender a esmo meu eu

um eu que não é só meu

mas que ficou comigo escondido

Às vezes, combalido

tento saber a que nave pertenço

de onde brotam as rosas

que jogo soltas à mesa

O porque das minhas cores

as fortes dores, esqueço

desapareço num avesso desfeito

e reapareço mostrando o rosto

e todos os meus defeitos

De resto algumas lágrimas

restam-me amareladas ao vento

recomponho-me à mesa

quem sabe servir-me de amor.

FlavCast

23.01.09

Desfazer do sonho

Acontece

um sentimento

perdido como

um sentido

que já não

posso seguir

pelas sombras

frescas da vila

como despertar

abrupto de sonho

atordoante desejo

de continuar a cena

mas que foge arredia

arrancado do peito

como ar que termina

como dor que resigna

escapa sonho tênue

fica o sentido

o desejo sentido

contido suspiro

surge o lamento.

FlavCast

23.01.09

Ao ilustre músico

Que a música aflore

não só de suas mãos

mas que elas sejam

o meio, a ferramenta

treinada por anos

Que suas mãos possuam

sempre o toque sutil

da amizade que já uniu

Que levem às teclas

os pedaços dos sonhos

mais lindos de quem ouvir

Que possam suas mãos

tocar por reflexo

do coração e não da razão

porque de lá vem a vida

E se acaso encantar-se

quem sabe com lindos olhos

sinta, isso já é poesia

É simples como escrever

como viajar ao piano

basta querido músico

ter a coragem de viver

porque música é vida

E se tocas Cartola, ouça

é pura poesia que ele

transformou em sons.

FlavCast

23.01.09

Uma noite

Assim como assisti

curioso pela janela

o passar de nuvens

iluminadas pela lua

Passei um ciclo

vivi uma noite

de um longo sono

Divino

E foi no sonho

dessa longa noite

que descobri

que não sei amar

Perdi-me no êxtase

do apreciar

embriaguei-me

de tanta beleza

apaixonei-me

pela doçura

deixe-me levar

pelos mais

profanos prazeres

perdidamente

amei

perdi-me da mente

perdi a mente

amei perdidamente

E toda noite

acaba no dia

e todo sonho bom

acaba no melhor

do beijo

Fica aquele

gosto repentino

de perdafica sentimento

fica a vontade

de sonhar mais

Vão desaparecendo

as imagens

fica a ternura

da cumplicidade

de estarmos sós

naquele sonho

de uma longa noite

que passou pela janela.

FlavCast

22.01.09