quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quem sabe o dia

Quem sabe fosse hoje

O dia da minha auforria

Quem dera saber da alegria

Da conquista à acolhida

Quem diria saber da escolhida

que o amor lhe chegou em dia.

FlavCast

13.12.2008

Texturas sobem pelo meu olhar

Ternuras esquecidas no mar

Tonturas cismam em transbordar.

FlavCast

13.12.2008

Tatuagem

Marquei a pele com tinta

como muitas vezes telas

receberam cores definitivas

Fixas, as carpas vivas

escorrem em negra beleza

sobre cicatrizes profundas

transformando em arte

o braço do artista.

FlavCast

12.12.08

O cão

Benevolente é o cão

que se joga feliz

sob os pés do dono

mesmo desprezado

Na tolerância do cão

não tem contida paixão

nem cabe em si solidão

muito menos competição

Malévolo o homem sente

culpa, desprezo e raiva

teme a perda contida no ato

de entender e não perdoar.

FlavCast

12.12.08

Engasgo espasmos

revoltadas posturas

cheias de amarguras

como pedaços de carnes

jogados no lixo das vaidades

escondidas por mascaras

refletidas de vazios estendidos

pelas ruas sonâmbulas figuras

isoladas em quereres solitários

momentos em que me perco

sem repostas na boca da língua

em que sento a observar

o céu da boca passar estrelas

por meus olhos não impedem

o rasgar dos conceitos que visto

oprimido desprezo escavado de terra

batida de morango com saquê

embebido de prazeres solitários

fresca a palidez dos meus ouvidos

espremidos ao lado da minha cabeça chata

que passa veloz pensamentos podres

as dores os sabores envelhecidos

de sol escarlate azul anil

a puta que te pariu fugiu

corrida da tua vida desesperada

avenida corro demente forçando meus dentes

raspando meu corpo contra a parede.

FlavCast

04.12.08

Partida

Ser elogiado como poeta

É uma coisa bem reta

Como olhar de torcedor

Que respira aliviado

Pelo pênalti não marcado

Ou o ódio adversário

Que explode na boca

Xingamentos de cólera

Ama-se poesia ou não

Identifica-se com ela

Ou não...

Como na vida aceitos

Ou não...

Expostos ou não...

Impedidos nunca

E não há faltas

Retire desse gramado

Quantas flores enxergar

Ou leve nas mãos

Os cravos da minha

Chuteira.

FlavCast

11.12.08

soi lo que sóis

sou poeta.
escrevo lágrimas,
risos, gozos, metas.

sou o visível impulso.
o impossível pulsa
em minhas veias artísticas
e segundo as estatísticas
em 99% do meu sangue
correm letras,
desprezadas dores
e dores aceitas.

sou ânsia,
vou do desejo ao ato
em um segundo.
quase morro, quase mato
e quase tudo no mundo
me induz ao erro.
mas quem não erra?
só o erro seduz.

te quero paz
mas tenho guerra.
Mate-me se for capaz
mate-me de amor
mas me matar não adianta.

embora a guerra seja santa,
o fogo é maldito
e arde cada vez que sol levanta
no infinito.

FlavCast & Rodrigo Mebs.

Mundos Significativos

...Recife

Casa velha

Com árvores no quintal

...Mangueiras...

E chão de terra

Donde desenhava letras

...Palavras...

E a visão do mundo...

Lia palavras do vento

Entendia o andamento do dia

Escrevia o que nem via

Sofria... Sorria... Vivia...

Aprendia e apreendia

Não era em quantidade

A medida da enormidade

Do que sorvia

Apoderava-se de vida

Sem perder ingenuidade

Crescia tamanha genialidade

E assim foi Freire, foi Machado

Foi Coelho, foi Aurélio, foi Chico

Foi você mestre, fui eu aluno

Foi um aprender significados

Foi um olhar mais profundo

Foi entrar num mundo

Em que víamos coisas

...Sonhávamos...

...Pensávamos...

E é disso que hoje falamos

E é isso que hoje esperamos

E é isso que amanhã há de ser

E é isso que educação tem que ser

Uma viagem gostosa e interessante

Por mundos significativos a nós...

A eles... Crianças, jovens ou adultos

Então antes... Permita-se

Abra-se ao mundo

Ao universo que será

Cada ser que você

Mestre...

Ensinar a ler.

Flavcast

07.11.08

Júbilo


Júbilo
Esmero
Desespero
Salseiro
Cheiro
Deito
Leito
Perfeito
Efeito
Peito
Prendo teu ar
Sinto aromas
Soltos dos poros
Assumem-me
Desvairacidados
Então me perco
E deixo de ser eu
Para ser um todo
Incismemado eu
Aluaruado de ti.

FlavCast
07.11.08

Palavras

Palavras retas

Palavras tortas

Palavras postas

Palavras

Derrubam portas

Dizem de ti

Aqui

Ali

Palavras que busco

No tempo passado

Imaginadas letras

Ainda não escritas

Palavras

Que às vezes faltam

Que nem sempre rimam

Palavras

Desenhadas na areia

Levadas na espuma

Palavras freqüentes

Desnecessárias

Envolventes

Palavras

Que não traduzem

O tesão de viver a vida

Palavras mudas

Aquelas não ditas

As sugeridas

Palavras ouvidas

Algumas tremidas

Outras benditas

Palavras malditas

Que alcançam feridas

Provocam partidas

Palavras sinceras

Que incendeiam cores

De nossos amores.

06.11.2008

FlavCast