segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Entre você e eu




A falta da luz
é o vácuo

A falta
é tudo ou nada

Entre você e eu
amor
sou a busca
da morte

O tudo
que se espera
ou o nada
que se tem

É busca
um andar a quem

É sempre um dia
antes de você

É ser do mar
ou do sol
onde não podem
são paisagem

Um não saber
ser sem completude
amiúde
viver

Falta que encerra
o peito

Falta que um dia
bastará.

(FlaVcast – 27.08.2012)

sábado, 25 de agosto de 2012

Passeio à beira mar


foto: ru-omnia

Percebo entre todas
As lógicas perdidas
Dos desabrochados
Sorrisos do seu olhar

As falas de amor

Como naquela tarde
Norma em que nua
Lasciva aconchegou
Desejo em meu peito

Não preciso falar

Quando solene entrou
Entre as telas, abstrata
Senhora de si espelhara
Do artista divina criação

O que fala te retrata

Indolente é o mar banhar
Seu corpo em ondas ilógicas
Eu atrevido sou da concha
O som pretencioso do mar.

(FlaVcast – 26.08.2012)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Perfume




Ficaram na sala
As flores

Agora sei do perfume
É seu não delas.

(FlaVcast - 25.08.2012)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quando amor




Quando amor
Não importa

As cadeiras

Estas sempre postas
Dirão em seus vazios
Dum amor estado ali

Duas cadeiras
Em que olhares
Cobertos de silencio
Entenderam-se unos

Resignados do amor
Não esperaram chuvas
Partiram de antemão
Ao céu ilimitado

Viver
Foi promessa
Dos dois.

(FlaVcast – 24.08.2012)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Boulevard




Tão pouco eram os dias agitados
Eram horas e horas de intermináveis
Labuta de intermináveis vai e vem
Por aquela ruela estreita escorregadia

Havia luar sempre encoberto
Insetos a rodear lampiões
As mariposas a circular peões
Eram noites úmidas e frias

Nada que houvesse ou ouvia-se
Dizia respeito a facilitar o dia
Era tal de tirar leite coisa premente
Deprimente eram os pratos enojados

A quantos estranhos se é ser estranho
Porque de estranheza jocosa se vive
Empoleirados em mesmices estranha-se
A que tempo me esqueci no boulevard.

(FlaVcast – 23.08.2012)

Do licor uma noite escorrido




Quando venho
Calado na alma
Descansar os olhos
Desfocados que são

Perco-me embargado
De tristezas dispersas
Aquelas em que alheio
Aparecem nítidos olhares

Seus mais doces gestos
De um amar desejado
É quando escuro estou
Iluminam lembranças

Sou alvo desfalecido em sonho
Um ébrio adocicado olhar
Do licor uma noite escorrido
Em seu seio desnudo.

(FlaVcast – 23.08.2012)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dorme




Dorme meu bem

Porque sonhas

Entre sorrisos
e o vermelho
perfume de rosas

Dorme

Pois os cupidos
estes viajantes
de longe virão

E só em sonhos
discretos que são
deixarão os beijos

Dorme meu sonho

Que te quero
na ponta de flecha
entregar meus beijos

Dorme.

(FlaVcast – 22.08.2012)

Vida




É quando acordo
Que sei da vida
Ela está
E eu retomo

De um ponto
Inesperado
Que não tem
Atalho

Vida que é de fé
De ter fé na vida
Que me faz descer
Avenida a vida é ida

Mesmo se for outra
Vida é só ida
Perdida é a volta
A única saída é morta.

(FlaVcast – 21.08.2012)

sábado, 18 de agosto de 2012

Lençóis




Feitos de vaidades
São os lençóis
Amassados
Das noites de amor

Em fios de seda
Respiram acelerados
Os ecos dos ritmos
Das posições

Porções de sons
Misturam-se ao atrito
Da pele em fluidos
Resquícios

Guardiões soturnos
Segredos resguardam
Repostos macios
Carícias e lembranças.

(FlaVcast – 19.08.2012)

Alvorada




Como passe
Que passa
Abster se
Alvorada
Canta
E voe
Em círculos
Soltos
De um lado
Para outro
Que seja
De qualquer forma
Raiar em alegria
De pássaro
Que acorda
Pro dia.

(FlaVcast – 19.08.2012)