domingo, 9 de junho de 2013

Poema do que somos


Do corpo
a sensação da pele
a tessitura sua

Nua do toque
do desejo que tenho
em desalinho

Fino e sutil
movimento do olor
exalado de pele

Macia é fala muda
a germinar dos poros
olhos a devorar-me

Curvas ensopadas
desse ato concreto
que chamamos nosso

Poema do que somos
em exauridos instantes
do amor que fazemos.

(por FlaVcast em 10.06.2013)

sábado, 8 de junho de 2013

Queime!



Queime!

Meu corpo e a roupa que trago à pele
O meu carro e meus futuros caminhos
Ateie fogo ao futuro que não mais terei
Aos sonhos e à minha chance de vencer

Queime!

As vezes que poderia batalhar por você
As lutas que já venci para te proteger
O estudo que pude ter e você não teve
Meus olhos e as lágrimas que já senti

Queime!

Minha impotência ante a sua ignorância
O meu ódio em relação a violência diária
A insensatez dos que te roubam a lucidez
As mágoas que nem sabes que tens

Queime!

Muitas vezes até desaparecer sua inveja
O trabalho e a arte que não lhe diz nada
A vida que nesta manhã sorriu ao seu dia

A alma esta, você a tornará imortal.

(por FlaVcast em 08.06.2013)

Febril



Perdi você pelos ponteiros
Em que horas eternizaram
Meu desespero

Solitário não havia onde marcar passos
Ou noites mais orvalhadas
Quiçá poderia a lua ser lacrimejada

Não haveria mais calçadas
Para duas mãos dadas

Seria daqui para frente
Um espaço oco ou um vácuo
De felicidades

Perdi você e o sono na madrugada
No desvalio de não encontrar o lado
Do repouso que nunca mais teria

Esvaziaria a vida e nem sonhos restaria
Mas em que parte da febre você estaria?

(por FlaVcast em 08.06.2013)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Perdidos entre todos


(Foto -Connie-Corpos)

Os sentidos aguçados
Os poemas desperdiçados
Olhares para outros lados
E os corpos amontoados

Das individuações noções
Das partilhas doações
Das fugas os padrões
Das insensatezes decisões

Aos corpos regozijos
Às mentes improvisos
Antes todos parecidos
Hoje todos desaparecidos

Eram únicos seus olhares
Loucos revoltados andares
Desiludidos iriam à antares
Assim perderam seus pares.

(de FlaVcast em 20.05.2013)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

D’alma




Já não sei d’alma
Da amalgama
Translúcida que sou
Entre vicissitudes
O destino
Próximo às ilicitudes
A vida
Que se alastra
E perde os moldes
As razões, as ilusões

Já não preciso sabê-la
Pois a encontro a noite
Por onde migro
Resigno-me
E encontro
Pelo véu negro
Em que despi-lo
Não é mais que beijar
Seus lábios
É ser amor.

(por FlaVcast em 17.05.2013)

Orvalhos


Foto FlaVcast

Hoje chove assim
Em pequenos pingos
De gostas de lágrimas

Como aquela nuvem
Que pesa os cinzas
E nem sei se vem

Chovem orvalhos
De mínimas melancolias
Em silêncios que ficam.

(por FlaVcast em 17.05.2013)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cubista


Imagem: Balcomb Greene / Seleção de Imagem: Carla Ramos

Quando de repente
Do seu corpo
Espalho-me
Em partes assimétricas

É que tange
Reflexos inebriantes
Da esfinge nua
Em sombra na penumbra

É desejo tomado da noite
Virtudes azuis
Das curvas que faz sentir
É silêncio e ar

É na hora e nos perdemos
Abissais animais
De um todo misturado
De cada parte de nós.

(por FlaVcast em 16.05.2013)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Boneco de chaves

(foto FlaVcast)

Gente à beira mar



Há essa hora lua
Crescente lá por trás
do mar

Essa lua que leva
Em suas horas leves
a amar

Esses instantes sós
Que tingem de noite
o sonhar

De uma brisa quente
Que vem da gente
à beira mar.

(por FlaVcast em 15.05.2013)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Dos olhares



Quando simples
O olho devaneia
Por si só liberta

Quando mágico
O olho desperta
Por si só ama

Quando preso
O olho vaza
Por si só lacrimeja

Quando fecha
O olho cede
Por si só encanta

(por FlaVcast em 02.05.2013)