sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Delírios no transito parado



Ao fim da tarde
Do rosa tomado
Nuvens brancas
Alegraram azul
Quente de inverno
Trópico Caetano
Longe exilada
A mente viaja
Lusco fusco

Entrelaçados
Sorrisos e olhares
Faceiros
A andar
A luz da lua

Delírios
A encher o peito.


(FlaVcast – 04.08.2012)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Impreciso




Não sei
Tão pouco desejo saber
A não ser o óbvio
Dos dias deliciados
Dos sorrisos
Das lágrimas
Que sejam felizes
Como janelas abertas
A iluminar as flores
Perfumar o ar
Como será seu mar
As ondas a pular
As arvores
Onde te beijar
Os porres
De felicidades
As noites
Te velejar impreciso
Por que não sei
Se de ti quero
Me achar.
 
ڿڰۣ-ڰۣ

(FlaVcast – 02.08.2012)

Escorrem rubros



Como jogados ao lago
Ao lado dos laços
Do vestido
Úmidos
os beijos
Descarados
os seios
Cercados
de desejos
Por todos os lados
Ilhados de paixão
Escorrem rubros
Vinho e batom
Sem importar
Das horas
as marcas do corpo
Deixadas nas folhas
Do caderno sem pautas
Surgiu do amor poesia.

(FlaVcast – 02.08.2012)

Portal


Foto: Miscelânea - (Citações IV)

Haveria um portal
Onde pudesse atravessar
Ir o corpo e desejos
Os mais puros
A encontrar os dela
E seus lábios

Depois do abraço
E beijos fitarmos
Um e outro lado
Já conhecidos
Decidirmos
Encontrarmos caminho

Haveria um solo
Onde pudesse pousar
Os panos e deita-la à relva
Em fim de tarde de primavera
Ler apreensivo um poema
E ler em seus olhos amor.

(FlaVcast –02.08.2012)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cenas já amareladas



Tenho na lembrança
Como cenas já amareladas
Em tons de tarde de verão
Imagens só por mim vistas

Olhares de tão doce entrega
Ao descer do ônibus de viagem
O jeans trazia na busca o andar
Mas foram lábios que chegaram

Lembro
Mas dizer dos toques iniciais
É explicar o encaixe da paixão
Que sem razão vaza orgasmos

A imagem destacada dos outros
Veio pela balsa na ansiosa maré
Deitar despida à luz de velas
Riu feita menina outrora mulher

Vejo
Como se fosse vídeo comovido
Que arrasta cenas quase perdidas
E voltam recorrentes dissipando-se

Amor como maré vai a levar água
Para não se sabe onde, mas esvai
De repente volta em ondas fortes
À beira da praia de mãos dadas.

(FlaVcast 01.02.2012)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Dançarina




Quero a dança noturna
A opulência marcada em véus
Das curvas da dançarina
Dedicada fêmea em ofício

Generosa na quietude do olhar
Faz do aprimorar refúgio
Em onda deixa-se levar em ritmo
Quero como fosse ontem a última dança

Noturna entre a pele e o ar
Vem pousar encantos e lábios
Molhados de reencontro enternecido
Que seja noite de amor dedicada a amar.

(FlaVcast 31.07.2012)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um todo



Como parte
Se sou todo
Torto e moreno
Um belo disperso

Não há parte
Do todo que chora
Do pouco que ri
Ao escorregar em ti

Um todo de partes
Unidades simétricas
De emoções constelações
Supernovas de sentimentos

Abstratas partes de erros
Complexos vitamínicos
De entendimentos orgânicos
Partes de uma poluída sampa

Partes de artes disléxicas
Perplexas releituras absorvidas
É deserta tempestade de areia
Um todo de sufoco e cegueira.

(FlaVcast – 28.07.2012)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cores à flor d'água



Sobre as águas
Tintas a boiar
Desfeitas
Natas coloridas

Soltas marcam
Trilhas a dispersar
À flor d’água
Brilhos ao mar

Translúcidas
Bolhas passam
Reflexos lúminos
Mentos difusos

Pequenas ligeiras
Expandem-se
Conforme a tona
Explodem ao ar.

(FlaVcast – 26.07.2012)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ensolarada



Como fosse ontem
O outro dia que te vi
A regar as plantas
Entre os raios de sol

Em passos descalços
Ao encalço do vaso
Para as flores rubras
À mesa após o beijo

Parece que foi ontem
Que subia a avenida
De vestido divertido
Saltava em alegria

Fosse quando fosse
Plácidos eram passos
Até a porta abrir-me
Na tarde ensolarada.

(FlaVcast – 25.07.2012)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Azuis cobalto aveludados



A lua
Nova
Azul se fazia
Noite e o barulho das ondas
A lamber o casco

Ficara ao cais do porto
Um pedaço de olhar
Um engasgo
Lábios molhados
De lágrimas

Reluzia no mar
Em pratas e brancos
Azuis cobalto aveludados
Como os lábios deixados no cais
Vermelhos imprudentes ruges

Ela passeando
No céu brilha
Idílica intrínseca sina
Solitária senhora de si
Parada já imperceptível é reza

E a solidão da beleza da noite
É companhia viva
Estrela que gira
A chamar lembranças perdidas
Embaladas nas ondas do mar.

(FlaVcast – 25.07.2012)