terça-feira, 29 de outubro de 2013

Aos braços

Foto: Flavia Soares


Vem e pula nos meus braços
Saí a voar
Que pouso sabe
São seus meus braços
Desde o altar
Lá atrás
O qual eu não estava

Observar
Foi meu despedir
O seu andar à nave iluminar
Eu era não sonhar o futuro
O sorriso e o susto
Ao fim dos passos
Meus braços a acolhê-la

O desencantar
Que não houve entre as flores
Correram primaveras
Invernos gélidos
Meus braços estavam abertos
Abraçavam nuvens
Mais sábios buscavam

Mulher menina
Hoje se posiciona
Aos lábios clássicos
Beijos e doces pérolas
A dizer sem pensar
...Achei natural largar o noivo
E ir te abraçar...

(por FlaVcast em 29.10.2013)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sua falta

Sculpture by Malvina Hoffman

Sim
Sinto solidão de ti
Porque de falta
Já as tive

Mas sabe
Sua falta é tranquila
Transbordo poemas
Aparecem

No entanto
Falta bem sabes
Seus olhares
Delatam

Bem sei
Quanto te falta
O ar que respiras
Sorva-me

Beije-me
Agora
Antes que da falta
Eu morra.

(por FlaVcast em 26.10.2013)

Aventurança



Tem dias em que anoitece mais cedo
Cubro-me de escuridão involuntária
Acalanto como a noite que acontece
A aquietar os pássaros cessar ventos

Aguardo lua cheia solene aparecer nua
Salpicado de fagulhas o céu translúcido
A atrair os profundos azuis embriagados
Astros faceiros estilhaçam-se exibidos

É nobre em seus passos e aos poucos eleva
Revela-se singela há leveza etérea emanada
Exalam devoção em aromas damas da noite

Precipita-se a névoa a encobrir-me de manto
Aventurança sutil é achar-se em um sonho real
Amanhecem vozes por trás dos raios de sol.

(por FlaVcast em 25.10.2013)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um arremedo de grão de pó de estrelas



Evaporar
Dissipar
Abrir
Em outro plano

A luz
Espaço aberto
Como dor
Esvair

Feito amor
Que acontece
Sem sincronizar
Tempo à intensidade

Saber do por que
Do milagre
Há coisas que em si
Encerram-se

Ser em azul
Vasto
Feito de universo
Pairar no verso

Um arremedo
De grão
De pó de estrelas
Que se atreve amar.

(por FlaVcast em 25.10.2013)

A viagem

foto: design-dautore.com

O sol já nasce lá fora
Não precisamos de malas
Trás as crianças e os lápis
De cores encheremos o dia.

Teremos paisagem aberta
Para que nossas cores
Tão particulares cores
Preencham as cenas

Nas nuvens os raios
Ao solo clarões
Montanhas mesclas
Estradas em linha reta

Entre descobertas
Que seja aos poucos
Compassado o tempo
Sem pressa de chegar

Levemos as músicas
Olhos atentos teremos
É viagem sem volta
Que passem os dias

As noites como chuvas
Que sejam desfrutadas
Tempestades admiradas
Os pesadelos esquecidos

Já na estrada sem mapas
Que novas rotas nos leve
Vamos inventar a chegada
Ao sol poente sem pressa.

(por FlaVcast em 24.10.2013)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Na dúvida



Na dúvida
Levo-a ao cume
Pra ver montanha
Ouvir o vento
Ver a sombra
Das nuvens
Escurecerem a terra

Na dúvida
Olhar ao longe
Admirar horizonte
Luzes acenderem
Aos poucos
Ver cidade
Achar temperos
Colher muda

Na dúvida
Desço falando
A deleitar
Sorrisos
E alguns
Zumbidos

Na dúvida
Perco-me
Pelo caminho
As sardas
Ao final
Encontro.

(por FlaVcast em 24.10.2013)

Sépia médio



Silêncio
O peito pede
O desejo grita
Abundante

Embebidos
Claras auras
Celestes licores
Derramam-se

Ao piso
Os pés brotam
Madeiras de lei
Sons de passos

Do ar
Texturas do dia
Em sépia médio
Abrange

É de um querer
Extravagante
As ondas deixadas
Tecidos caídos

Caminhos
Por onde acho
Olhares
Sorrisos me levam

É espaço branco
Pétala ou pele
Lençóis em desalinho
Os carinhos.

(por FlaVcast em 23.10.2013)

Sua luz



Quero
por onde possa levar

A luz
que de seus olhos irradia

Dela
sei ser reflexo

Alvo
ligeiro instigo

Repleto de raios
desvio os devaneios

Corro pelos pilares
que mármores refletem

Ambientes os quero tomados
do ar dos sons iluminados

Sorrisos ditos aos olhos
dizem do azul das rendas

Alvas são as etapas
da derme a desnudar desejos

As curvas benditas
desvenda-las os contrastes

As marcas
as arcas as ancas às claras

Ao sol do final da tarde revelar
Se é nua que acendes a lua.

(por FlaVcast em 23.10.2013)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sem lógica


Como passar do tempo
Oras sem teus beijos
Não passo a passo horas
Posso mas não passo
O tempo acerca ali
À cerca acessa acesa
Acende o fogo ascende

Sem lógica
Quanto mais retórica

Não sou dos tempos
Meço tudo ao passar
Dos beijos ou a medir
Quantos pesam os toques
A velocidade em arrepios
O volume do gozo
Os líquidos oriundos do corpo

Réguas manchas em peles
Marcas acirradas de amores
Memórias vivas de acenos
Acentos agudos ou tremas
Tramas escondidas entre pelos
Dramas que por entre os braços
A dama em seus lábios confessa

Sem lógica
Quanto mais retórica.

(por FlaVcast em 22.10.2013)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Enamorada



Venha enamorada
É noite quente
Seu perfume exala
É lua encantada

Sua pele despida
A quero branda
Ao colo entregue
Eriçar seus poros

Sentir seus seios
Enquanto beijos
Entregues ao ombro
Suas costas acaricio

Ao pescoço dedico
A língua áspera vil
As pontas dos lábios
Toques em devaneio

É brilho de noite clara
Pele suada inebriante
É a maneira que olha
E os lábios que morde

Brisa a assoviar o mato
São chiados de estrelas
Pés descalços acariciados
Iluminados os contornos

Contorcidas manobras
Enroscados os corpos
Movimentados suspiros
Em sentidos orgasmos

São respirares inteiros
Como procura do gozo
Arde a não teres senso
Volúpia o corpo derrama

Sabor ao olhar escorre
Aos lábios lascivos risos
Encobrem acalantos sutis
Perdem-se as mãos dadas.

(por FlaVcast em 21.10.2013)