quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Três dias e mais cinquenta e poucas horas e mais alguns minutos



Há uma angustia
O tempo
Mas esse vício
Se resolverá...
Quando ao fim
Três dias voarem

Amor, quando?
Se tudo tem
Tempo certo...
Quando?
Não sei dizer
...

Quando
Depois de cinquenta horas
Olharmos pra trás
Depois
...

Parecerá
Pouco tempo de espera
Mais alguns minutos
Será eternidade...

(por FlaVcast em 09.10.2013)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Casinha


Como horta
Que cresce torta
Sobem trepadeiras
Pelas janelas

Parreirais em brisa
Adormecem o vinho
À sombra da adega

Sobe o cheiro do mato
Menino corre do pato
A bambina traquina
Tranquila amassa barro

Clave de sol em raios
Ao entardece lampiões
Esvai fumaça cheirosa
Da lenha seca, estalos

Vai ao fogo chaleira
Chá misturado de risos
Mel de laranjeiras
Em flor.

(por FlaVcast em 09.10.2013)

Pétalas caídas ao chão


É como se tentasse
Por todas as linhas
Em blocos de anotações

Nas marinhas ondas
Que se repetem
Quebradiças a beira mar

Ou nas avenidas
Floridas ainda que sejam
Pétalas caídas ao chão

Os poemas todos
Foram escritos a este
Amor que descubro agora.

(por FlaVcast em 08.10.2013)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O momento do olhar


Surgiu o momento
Em que o meu olhar
Fez encontro ao teu

Como névoa dissipada
A trazer lembranças
De um tempo casto

Um abraço aveludado
Fosse outrora cena
Ou noutra noite, ontem

Como fizesse sentido
O alarido de pássaros
Saber caminhos em voo

Abrandou mar revolto
Trouxe ao ar azuis voláteis
Desejos e docilidades

Em que sentidos havia
Os traços à palma da mão
Encaixar-se aos teus

Há nesse olhar os meus
Fagulhas de noites quentes
O esquecer da dor pungente

Quanto resistira o beija flor
Não encantar-se de mel
Enamoraria menos teu olhar?

(por FlaVcast em 07.10.2013)

Bela


Meu amor é bela
Bela de olhar
De sorrir é bela
Bela como só ela

Meu amor cintila
Aos lábios purpurina
Meu amor senti-la
Transborda-me a retina

Meu amor a bela
Aos poucos revela
Releva meu amor
Aos poucos o eleva.

(por FlaVcast em 07.10.2013)

Espera


A espera
nunca desacreditada
Foi sonhada
visualizada
Contada em versos
pinceladas
Como gerada em ventre
iluminada
Ao tempo incerto
desejada
Plantou dúvida
às curvas
Espelhos de imagens
turvas
Rochedos a bloquear
estrada
Espera
ao nascer do dia
A atravessar avenida
vai
Entre passos o caminhar
perto
Ásperas à espera
no soneto
O sonho aguarda
o desejo
O plexo antevê
o sexo
Espera
áspera espera.

(por FlaVcast em 07.10.2013)

domingo, 6 de outubro de 2013

Iluminados



Seres iluminados
Nem sempre tão raros
Às vezes são apenas
Vaga-lumes voando

Gostam de iluminar
Campos vazios
Os ter a semear
Em árvores a vida

Espaços e luzes
Claros vermelhos
Liberdade e silêncio
Pulsar no ar

Luzes em meio tom
Encontram-se no tempo
Do tempo do encontro
Religam-se ao vento

Lumes e cumes
Desejo e risos
Vagas ao som
Das asas

Escuro e luz
escuro e luz

escuro e luz


escuro e luz

E vão
por que assim
são.

(por FlaVcast em 06.10.2013)

sábado, 5 de outubro de 2013

Entremeio

http://www.youtube.com/watch?v=EtXowOvD4Qs&feature=share&list=FLdwmo7ifAbQFY0fR5gJWUMA

É nesse entremeio
Do seu olhar ao meu
Em que o tempo parou
Translúcido feito música
A soltar notas ao vento

De um tempo ingênuo
Inesperado como sol
A abrir-se na chuva
E inundar a pele crua
Que seu deu o amor

Como ar aos pulmões
Rarefeito tomou-me o peito
A transborda-lo em alegria
Como vida à primavera
Ou folia de perfumes em flor

Não, não há quem diga
Que este amor não vire poesia
Ou alquimia que trás à noite
Estrelas ou brilhos aos lábios
Nos beijos que já foram dados

Ah esse entremeio de vida
Em que a semente aguardou
E o frio do inverno passou
Hoje é alma de renovada aura
Neste momento a desabrochar.

(por FlaVcast em 05.10.2013)

sábado, 28 de setembro de 2013

É dela minha espera


Seria tão mais fácil
Aberta meia janela
Ao anoitecer a pele
Da amada iluminar

Aluarada no corpo
Em sombras curvas
Dizem aos olhos nus
Intraduzíveis imagens

Envoltos em névoa
São testemunhas
Mudas criaturas
Aguardam

Como dizer a ela
O porque do olhar
Ficar a fitar entrega
É dela minha espera

...só pra te deixar um beijo
e eu saber que se abriu um sorriso...

(por FlaVcast em 28.09.2013)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Aos amores sóbrios o vento



Passaram as luas
E entre nuvens fases
Marés a darem voltas
E mais voltas nos oceanos
Dos pássaros os rápidos
Foram várias gerações

É do tempo o espaço
Que por meio dos chiados
Fez do metal o fundo
Onde percebidos sons
Aos olhos serenos momentos
Puxados de alegrias

À meia luz envoltos os olhos
Recostam ao luar os lábios
Levados ao espaço são eles
Ao lado das rosas caídas
Pequenas besteiras lançadas
Aos amores sóbrios o vento.

(por FlaVcast em 27.09.2013)